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Taga dum ké! Zig tchaa dum ké! Dum dum! Taga dum dum ké!*

23/11/2010

Fernanda Costa

É fato. A plateia não consegue ficar parada.  Todas as fileiras compostas por antigas cadeiras vermelhas de generosos estofados lustrados estão praticamente lotadas. São 293 lugares quase esgotados da Avenida São João, 473. Quem os ocupam são curiosas figuras que parecem transitar com desenvoltura pelas mais alternativas e variadas tribos urbanas e rurais do planeta. No segundo andar da Galeria Olido – uma das mais tradicionais do Centro Velho de São Paulo e vizinha da ovelha negra da família, a Galeria do Rock – pés, mãos, cabeças, pescoços e cotovelos se movem no escuro.

Junto a eles estava toda a plateia a acompanhar. Fotos: Fernanda Costa

São espontâneas respostas aos estímulos que recebem dos sons.  A fonética é simples porém  cada gesto, cada palavra é abastecida com potentes descargas de energia real e vibrante. Convidativas e dançantes as performances hipnotizam a cada monossílaba, onomatopeia e barulho produzido no palco.

–       Taga dum ké! Dum dum ké!  Convida o palco.

–       Taga dum Ké! Dum dum ké! Respondemos nós, anônimos enfileirados.

A interação do público acontece como se tivesse sido previamente ensaiada de tão perfeita, afinada e coordenada.  Dum dum ké ké Dum dum ké!

Foi assim: esbanjando uma inteligência corporal natural e livre, que artistas, convidados e público presente fizeram música corporal juntos, na abertura do III Festival Internacional de Musica Corporal que aconteceu nesta terça-feira pós-feriado da República em São Paulo. Este ano o Festival contará com a participação de diversos países como EUA, Alemanha, Áustria, Turquia, Colômbia, Canadá, Espanha, França e Brasil.

Durante a abertura oficial e os agradecimentos de praxe aos patrocinadores, o público foi surpreendido por rápidas falas criativas e bem humoradas dos representantes do Consulado Americano e da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo. Até música corporal eles arriscaram. Um cerimonial como estes, bem descontraído, compartilhou de imediato um clima de festa aconchegante e uma atmosfera de intensa receptividade e satisfação por parte de todos os envolvidos no projeto. Quando se percebe esse envolvimento pelo brilho do olhar não tem como não se contagiar. Logo no começo já nos sentimos incluídos ali, fazendo parte.

KekeÇa lado a lado produzindo uma fusão ritmica de concentração e relaxamento.

Foi um começo em grandessíssimo estilo.  Os primeiros que iluminaram o palco do show de abertura com suas palmas, sons e movimentos corporais misteriosos e discretos foram os integrantes do grupo KekeÇa da Turquia.  Sem contar com a interação sincronizada com a plateia o ponto alto da apresentação deles foi a performance feita com todos eles sentados lado a lado com um tambor em cada extremidade da sorridente corrente humana.

A participação de Slammin, convidado de honra e idealizador do Festival desde a sua primeira edição foi matadora! A apresentação da sua banda chamada Slammin All-Body Band (EUA) com a participação dos Barbatuques foi surpreendente e fez o clima esquentar depois da apresentação dos Turcos. A colaboração que vem sendo feita entre o Slammin e o Núcleo Barbatuques já vem de anos de admiração mútua confessou Fernando Barba, diretor artístico do Festival e o resultado desse rico intercâmbio cultural tivemos o privilégio de assistir. Foi mesmo um show, digno do adjetivo espetacular, sem reservas e com todo o exagero possível.

Barbatuques concretizando uma das máximas: Dançar é preciso!

As vozes femininas da banda americana preencheram todo o ambiente com sua ginga e cor durante as músicas letradas. Percussionistas corporais e dançarinos faziam intervenções esporádicas no palco durante o espetáculo e enfeitavam harmonicamente as composições apresentadas. Antes de pessoas eram corpos. Antes de corpos som. Sons que se transmutavam em instrumentos musicais ambulantes compondo uma orquestra musical corporal de impressionar. Contrabaixo, saxofone, bateria, e até em base eletrônica esses artistas ousaram se transformar.

O Festival acontecerá entre os dias 16 e 21 de novembro e promete sacolejar muitos esqueletos com “música que se ouve e dança que se vê”. Serão workshops, oficinas, conversas, exposição, open mic e apresentações musicais gratuitas. Tudo é imperdível. E só está começando. Confira toda a programação no site do festival e aproveite!

Internationalbodymusicfestival.com

* Publicado originalmente em http://acessototalrevista.org/?p=9203

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2 Comentários leave one →
  1. Jaqueline permalink
    24/11/2010 11:37

    Bem legal, Fernanda.
    Parabéns!

    • Fernanda Campos Costa permalink
      26/11/2010 11:47

      Valeu Jaqueline!! O show foi tão inspirador para mim que não pude deixar de jorrar tais palavras. Depois de ler algumas vezes, confesso que editaria um pouco mais. Colocaria umas virgulas aqui e outras ali. Mas já foi. As vezes tenho a sensação que o texto pulsa. Que tem vida! E é difícil para mim saber a hora de parar de transformá-lo. Acho que só mesmo os prazos… rs!

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