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Começando

03/11/2010

Paula Felix

Na verdade, o começo foi em março. Divididos em A e B, éramos de pedaços diferentes, vozes com sotaques de tantos cantos e até de além-mar. Nem todos jornalistas, mas meio ou completamente encantados por um tipo de jornalismo que narra histórias tão reais, tão incríveis e surpreendentes, que caberiam em livros. Jornalismo Literário. JL.

A experiência inicial foi um processo orgânico.

O toque no papel.

O elo entre os pensamentos e as palavras escritas.

Na cidade de concreto, o começo do final de um dia. Foto: Paula Felix

Cada uma delas sendo derramadas por canetas coloridas que não paravam de escrever sensações-vivências-lembranças de sabores e cheiros e imagens. A ponta da caneta não se desprendia nem pausava até que esse jorro de letras unidas se findasse.

E passando os dias, durante a semana ou no final dela, o véu muito fino que cobria nossos olhos foi se desfazendo. As camadas de uma película transparente também pararam de tapar nossos ouvidos e como o mundo é… Como o mundo está! A possibilidade de sentar e, olhando para o lado, descobrir algo transformador estava tão próxima. Não éramos mais os catalisadores, não entrávamos em um tipo de reação química sem sairmos modificados. Provar a mudança e compartilhar tudo isso virou algo possível.

Estamos aprendendo a entrar em cada história sem medo de sermos tocados por elas. A gente quer sentir de perto. Uma sucessão de começos, o frescor de uma novidade por dia, mesmo naquilo que parece ter sido explorado à exaustão. Até nas coisas que parecem ser fim. A gente quer descobrir e compartilhar. Transmitir tudo o que apuramos com nossos sentidos da forma mais  tátil, visual, imergir traduzindo as metáforas. E se vierem GRITOS, delírios, fluxos de consciência, monólogos interiores… Lá estarão, aqui estarão.

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2 Comentários leave one →
  1. Jaqueline permalink
    07/11/2010 18:48

    Que lindo. Acho que as palavras do texto descrevem exatamente o que sentimos. A delicadeza sempre presente na ponta do lápis da Paula; é mais uma letra criada por ela.

  2. Fernanda Campos Costa permalink
    12/11/2010 11:33

    Uaaaau! Adorei esse começo! A foto me fez lembrar de um outro espetacular começo de fim de dia que presenciei aqui na Paulicéia também. Tão potente quanto! Acho que essa foto ilustra bem o encantamento que venho sentindo com o corriqueiro e o mais simples e previsível de cada dia. Escancara também o potencial que cada história tem ao ser contada e resignificada por cada um. Muitas vezes na cidade grande as pessoas deixam de olhar para cima, para as árvores na rua, pelas janelas… Que cada vez mais esse tipo de céu possa ser visto por mais e mais paulista, por mais e mais pessoas. Pois pode parecer raridade, mas não é não. Basta a você começar a observar!

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