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Edvaldo Pereira Lima na Bienal do Livro da Bahia

01/11/2011

Comunidade do JL na Bahia – e descobridores recentes dessa forma narrativa – anotem uma boa oportunidade de um papo agradável e de amplos horizontes sobre o tema: dia 03 de novembro às 20 horas, Edvaldo Pereira Lima participa do Café Literário – evento cultural da Bienal do Livro da Bahia, edição 2011  –  que coloca em foco o Jornalismo Literário. O evento acontece no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.  A mesa terá como mediador o professor Elieser César. Também participa do diálogo a jornalista Aline D´Eça.

Empolgado com a iniciativa dos organizadores em incluírem o JL na programação, Edvaldo destaca  duas peculiaridades  da cultura baiana  – e nordestina como um todo – que pode render bons frutos futuros para o JL:  “a oralidade  solta  e a riqueza narrativa da literatura de cordel; ambas marcas, quando adaptadas condizentemente para a arte narrativa da vida real, podem render muito. Podem dar  um bem-vindo ritmo natural aos textos, iluminar histórias e encantar leitores. E é disso que precisamos cada vez mais, se queremos que o JL de fato conquiste a alma e  o coração do leitor, oferecendo em troca matérias profundas de  contexto e  prazerosas de estilo.”

 

Mais informações: 

http://www.bienaldolivrodabahia.com.br/programacao/cafe_literario

A vida por trás da cracolândia*

24/03/2011

Jaqueline Corrêa

A vida deveria ser cheia de entusiasmo. Mas, em algumas realidades, ela é cheia de choro, lágrimas, sorrisos acanhados e angústia provocada pelo desprezo. E também é rodeada por outras vidas que assemelham-se entre si. A vida aqui tem forma. E tem nome. Cracolândia é o lugar que reproduz a sub-humanidade de pessoas sem identidade, que são conhecidas e reconhecidas por um predicativo julgador: viciados.

Desconfiados, alguns usuários se aproximam devagar. Não se importam em fumar seus cachimbos na frente de estranhos.

Mas é quando o sorriso nu parece sumir, que a alegria de outras vidas chega para resgatar. O “A gente da Comunidade” é um grupo formado por voluntários que não medem esforços para estender a mão. Em meio à chuva torrencial que caiu sobre a cidade de São Paulo no último domingo, 27, pessoas vestidas de branco abrem o caminho para a luz em meio ao abismo escuro, residência das centenas de usuários de crack.

A luz na escuridão

Enquanto a forte chuva cai, os voluntários se viram para deixar o espaço da melhor forma para atender a todos da melhor maneira. Nas barracas armadas no meio da rua, serviços de manicure, cortes de cabelo, doação de roupas e sapatos, lanches, além de livros e jornais, de conteúdo espiritual, são distribuídos aos desamparados.

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Quando a intuição forma um mestre

23/02/2011

Flavia Vasconcelos

Eu vi da coxia. Lá estava Armando Macêdo, o Armandinho, com seu chapéu enfeitado por um lenço e a roupa preta, traje já bastante conhecido nas suas andanças musicais. Eu o vi da coxia testando os instrumentos: seus companheiros, o bandolim e a guitarra baiana, esgotando deles tudo o que poderia ecoar, como se os espremesse e os aproveitasse até a última gota de som. Deles saíram todos os tons possíveis e inventados pelo talentoso Armandinho. Era o ensaio do segundo dia do lançamento do seu primeiro DVD solo, o Pop Choro, no Teatro Módulo, em Salvador, comemorando os 45 anos de carreira do músico.

“Tudo o que eu faço é apenas fruto de tudo que já ouvi e aprendi na vida. Eu absorvo e transmito na música”, explica Armandinho. Foto: Ivan Erick

Depois de certificar-se de que todos os instrumentos estavam harmoniosamente afinados, Armandinho passa por mim, em direção ao camarim, e me chama para conversarmos. Afinal, estava eu lá, com o caderninho em uma mão e uma caneta na outra, à espera de uma entrevista com o alquimista musical.

Entramos no camarim ocupado por muitas pessoas: amigos e colegas de trabalho do músico, todos muito alvoroçados e ansiosos, afinal, o show já ia começar. Sentamos eu e ele, um de frente para o outro em cadeiras improvisadas.  Armandinho é servido com uma dose de uísque com guaraná e iniciamos a conversa. Pelo tempo curto que tínhamos disponível, o roteiro da entrevista programado anteriormente  teve que ser modificado. Comecei pelas perguntas mais pontuais e, se desse tempo, passaríamos para as mais reflexivas.

Apesar da pressão, Armandinho demonstrou total atenção às minhas dúvidas jornalísticas e fez questão de criar um ambiente e um tempo só nosso. Entre um gole e outro de uísque, ele ia me ouvindo e respondendo com entusiasmo às questões. Foi uma entrevista desmistificadora, porém só fez abrilhantar ainda mais o artista, que nunca deixou de ser o menino talentoso de Osmar Macêdo.

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Sushi

16/02/2011


Camila Galvez

Ele gostava de sushi, e era quase um ritual obsessivo. Toda sexta-feira à noite, saia da aula e rumava para o restaurante pequenino e quase sempre vazio naquele horário. Observava o sushiman preparar o rolinho, primeiro a alga, depois o arroz e por fim o peixe. Sentia cheiro de areia e de mar e de infinito enquanto observava o colorido do peixe se juntar ao branco do arroz e o escuro da alga.

"O mar, que era tão grande, ficava pequeno ali, naquele diminuto rolinho de sushi"

Não gostava de molhos nem de nada que atrapalhasse o sabor. Achava um crime encharcarem o sushi com shoyu. Como ficava a experiência do sabor inusitado se se quebrasse o encanto molhando o arroz? Não, não era japonês, tampouco do Oriente, mas tinha certeza que em uma de suas muitas vidas havia vivido por lá.

Ele julgava gostar tanto e apreciar tanto aquela arte milenar simplesmente porque ela o lembrava da força do mar. Imperioso, poderoso, ruidoso, regido pelas mares. Mesmo diante de tanta força e poder, sabia ser simples ao abrigar a vida do peixe que serviria depois de alimento par ao homem. O mar, que era tão grande, ficava pequeno ali, naquele diminuto rolinho de sushi. Mas para ele era exatamente aí que morava a graça de se alimentar dessa forma e, de alguma maneira, sentir-se conectado com o mar. Leia mais…

Dança comigo?

26/01/2011

Nathalia Triveloni

Não há espelhos, nem vestido de baile. Mas o frio na barriga tá aqui. Ele é fruto daquela sensação que temos quando nos aproximamos da pessoa por quem estamos apaixonados de longe e perguntamos: Você quer dançar comigo?

Meu destino não é nenhuma dança, mas existe uma pessoa. Com um “dois pra lá, dois pra cá”, desembarco em Nova York. Cada passo carrega um pouco de esperança neste dia nublado. Chegando ao meu destino, eu o encontro. Terno cinza escuro, andar elegante, o chapéu charmoso também marca presença.

Ok, eu confesso. Estou preparada para uma resposta negativa, mas não tenho ideia do que fazer se um sim eu ganhar. Respiro fundo, desacelero meus passos e timidamente pergunto: Gay, você gostaria de conversar comigo?

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All Star azuis

08/12/2010

Isa Soares

As pernas curtas parecem ser apenas um pouco maiores do que o espaço entre a cadeira que ocupa e a catraca por onde passam milhares de pessoas todos os dias.

Entre um ponto e outro, os All Star azuis nuns pés pequenos apoiam-se aonde daí a uns minutos alguém se vai encostar depois de ter passado o bilhete único na maquininha amarela.

Os cabelos moda anos 80 estão desalinhados e são ondulados. O desalinho parece sempre maior em cabelos ondulados. Não é à toa que aqui se chama “cabelo bom” ao cabelo liso. Os dentes de coelho num rosto redondo/quadrado, de olhos pouco expressivos, diria apáticos, compõem o quadro.

Mudou recentemente de percurso. Agora um pouco antes das cinco da tarde ocupa o lugar do cobrador do ônibus Parque Dom Pedro II.

De ontem para hoje, nada mudou. O mesmo silêncio, a mesma compreensão para com quem não tem R$2,70 para pagar a passagem, mas que ainda assim tenta a sua sorte com a cobradora dos cabelos desalinhados e dos pés pequenos dentro de uns All Star azuis.

As pernas curtas parecem ser apenas um pouco maiores do que o espaço entre a cadeira que ocupa e a catraca por onde passam milhares de pessoas todos os dias. 

Entre um ponto e outro, os All Star azuis nuns pés pequenos apoiam-se aonde daí a uns minutos alguém se vai encostar depois de ter passado o bilhete único na maquininha amarela.

Os cabelos moda anos 80 estão desalinhados e são ondulados. O desalinho parece sempre maior em cabelos ondulados. Não é à toa que aqui se chama “cabelo bom” ao cabelo liso. Os dentes de coelho num rosto redondo/quadrado, de olhos pouco expressivos, diria apáticos, compõe o quadro.

Mudou recentemente de percurso. Agora um pouco antes das 5 da tarde ocupa o lugar do cobrador do ónibus Parque Dom Pedro II.

De ontem para hoje, nada mudou. O mesmo silêncio, a mesma compreensão para com quem não tem R$2,70 para pagar a passagem, mas que ainda assim tenta a sua sorte com a cobradora dos cabelos desalinhados e dos pés pequenos dentro de uns All Star azuis.

 

Histórias de umbuzeiro

02/12/2010

Kassia Nobre

Santana do Ipanema – O pequeno de olhos azuis parou sua bicicleta em uma freada brusca que levantou poeira amarela para todos os lados. O seu olhar curioso apontou para um grupo de crianças singular embaixo de um pé de umbuzeiro. Mas o que elas faziam lá em uma tarde de forte calor no sertão alagoano? Lendo, ora essa. O que mais poderia ser? Aproveitavam uma deliciosa leitura de um livro com título bem sugestivo: “À sombra do umbuzeiro”.

Criançada lendo “À sombra do umbuzeiro”. Fotos: Rodolpho Ornitz

O projeto Leitura no Sertão, que é desenvolvido pelo Swa Instituto e o Portal Maltanet*, parece árvore de sonhos brotando em uma terra seca. É a sétima vez que a árvore dá frutos e não apenas umbus-cajás ou umbuzada, em que a fruta é fervida verde com leite e açúcar. Por que o umbuzeiro? “Não houve um motivo específico, como o umbuzeiro é uma árvore tradicional do sertão, imaginamos como bom seria ler embaixo de sua sombra”, comenta José Malta Neto, um dos organizadores do projeto.

“À sombra do umbuzeiro” surgiu a partir das histórias de santanenses publicadas no portal Maltanet, no período de 2006 e 2007. E a leitura com a criançada nasceu porque, infelizmente, centenas de exemplares encalharam. Alegria para os pequenos que ganharam o projeto Leitura no Sertão.

– Todos vocês estão à vontade? Pergunta José Malta.
– Estamos. O coro de crianças responde.

E estavam mesmo. Algumas ainda apoiadas nos joelhos, outras com as pernas já esticadas em uma grande lona embaixo do umbuzeiro. Todas atentas ao que estava prestes a acontecer. A tarde de leitura se iniciava para os alunos da Escola Municipal de Educação Básica Vereador João Francisco Cavalcante, que fica lá no povoado São Felix, município de Santana do Ipanema.
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