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	<title>Jornalismo da Gente</title>
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		<title>Edvaldo Pereira Lima na Bienal do Livro da Bahia</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 14:37:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não categorizado]]></category>

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		<description><![CDATA[Comunidade do JL na Bahia &#8211; e descobridores recentes dessa forma narrativa &#8211; anotem uma boa oportunidade de um papo agradável e de amplos horizontes sobre o tema: dia 03 de novembro às 20 horas, Edvaldo Pereira Lima participa do Café Literário – evento cultural da Bienal do Livro da Bahia, edição 2011  -  que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=127&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Comunidade do JL na Bahia &#8211; e descobridores recentes dessa forma narrativa &#8211; anotem uma boa oportunidade de um papo agradável e de amplos horizontes sobre o tema: dia 03 de novembro às 20 horas, Edvaldo Pereira Lima participa do Café Literário – evento cultural da Bienal do Livro da Bahia, edição 2011  -  que coloca em foco o Jornalismo Literário. O evento acontece no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.  A mesa terá como mediador o professor Elieser César. Também participa do diálogo a jornalista Aline D´Eça.</p>
<p align="justify">Empolgado com a iniciativa dos organizadores em incluírem o JL na programação, Edvaldo destaca  duas peculiaridades  da cultura baiana  &#8211; e nordestina como um todo – que pode render bons frutos futuros para o JL:  “a oralidade  solta  e a riqueza narrativa da literatura de cordel; ambas marcas, quando adaptadas condizentemente para a arte narrativa da vida real, podem render muito. Podem dar  um bem-vindo ritmo natural aos textos, iluminar histórias e encantar leitores. E é disso que precisamos cada vez mais, se queremos que o JL de fato conquiste a alma e  o coração do leitor, oferecendo em troca matérias profundas de  contexto e  prazerosas de estilo.”</p>
<p align="justify"> </p>
<p align="justify">Mais informações: </p>
<p>http://www.bienaldolivrodabahia.com.br/programacao/cafe_literario</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/127/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=127&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A vida por trás da cracolândia*</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 03:01:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Humanização]]></category>
		<category><![CDATA[Imersão]]></category>
		<category><![CDATA[Observação]]></category>

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		<description><![CDATA[Jaqueline Corrêa A vida deveria ser cheia de entusiasmo. Mas, em algumas realidades, ela é cheia de choro, lágrimas, sorrisos acanhados e angústia provocada pelo desprezo. E também é rodeada por outras vidas que assemelham-se entre si. A vida aqui tem forma. E tem nome. Cracolândia é o lugar que reproduz a sub-humanidade de pessoas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=121&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jaqueline Corrêa</p>
<p>A vida deveria ser cheia de entusiasmo. Mas, em algumas realidades, ela é cheia de choro, lágrimas, sorrisos acanhados e angústia provocada pelo desprezo. E também é rodeada por outras vidas que assemelham-se entre si. A vida aqui tem forma. E tem nome. Cracolândia é o lugar que reproduz a sub-humanidade de pessoas sem identidade, que são conhecidas e reconhecidas por um predicativo julgador: viciados.</p>
<div id="attachment_122" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/03/matc3a9ria.jpg"><img class="size-medium wp-image-122" title="matéria" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/03/matc3a9ria.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Desconfiados, alguns usuários se aproximam devagar. Não se importam em fumar seus cachimbos na frente de estranhos.</p></div>
<p>Mas é quando o sorriso nu parece sumir, que a alegria de outras vidas chega para resgatar. O “A gente da Comunidade” é um grupo formado por voluntários que não medem esforços para estender a mão. Em meio à chuva torrencial que caiu sobre a cidade de São Paulo no último domingo, 27, pessoas vestidas de branco abrem o caminho para a luz em meio ao abismo escuro, residência das centenas de usuários de crack.</p>
<p><strong>A luz na escuridão</strong></p>
<p>Enquanto a forte chuva cai, os voluntários se viram para deixar o espaço da melhor forma para atender a todos da melhor maneira. Nas barracas armadas no meio da rua, serviços de manicure, cortes de cabelo, doação de roupas e sapatos, lanches, além de livros e jornais, de conteúdo espiritual, são distribuídos aos desamparados.</p>
<p><span id="more-121"></span>Desconfiados, alguns usuários se aproximam devagar. Não se importam em fumar seus cachimbos na frente de estranhos. Mas não gostam de ser incomodados com flashes de máquinas fotográficas ou com perguntas insistentes. São jovens, adultos e crianças que aparentam ter a mesma idade do abandono. Estão todos maltrapilhos, maltratados, mas confortados pelo rápido efeito do crack. As moças, com a sensibilidade feminina cada vez menor, demonstram que apesar do corpo esquelético, rosto mirrado, sem dentes e roupas sujas e rasgadas, ainda conseguem exibir a vaidade de mulher. Elas procuram a fila das manicures. Querem estar belas e atraentes. Conversam sobre suas vidas, a forma como chegaram ao abismo, e reconhecem a falta de força para se levantar.</p>
<p>Ivanise, de 24 anos, é usuária, mas não se vê como viciada. Procura a droga quando quer, quando sente vontade. Quer um emprego e acredita que vai conseguir um serviço de ajudante geral. A bonita jovem magérrima, de cabelos compridos e enrolados, tem uma voz forte que revela uma personalidade autêntica. Saiu de casa quando a mãe ergueu a mão da violência e ela revidou. Não suporta ser mandada. Então, para não bater novamente na mãe, achou melhor sair e morar em uma quitinete. Mas foi no despejo do seu “quarto e cozinha”, como refere, que encontrou a rua. E nela, conheceu o crack.</p>
<p>Apreciando as mãos pintadas de rosa, Ivanise fica feliz com o trabalho dos voluntários. “É uma luz”, ela diz. Um incentivo para os viciados a saírem aos poucos das drogas. “Porque ninguém sai de uma hora pra outra”, ela explica.</p>
<p>Assim como ela, centenas de homens, mulheres e crianças desfiguram-se debaixo de marquises, dentro de prédios abandonados ou no meio da rua. Enrolados em cobertores, alguns dormem profundamente e não se importam com a forte chuva que cai sobre eles.</p>
<p>Mas é diante das figuras feridas, desprezíveis, mal vestidas e irreconhecíveis pelas drogas, que surge um ex-morador de rua disposto a ajudar.</p>
<p><strong>A chance para um recomeço</strong></p>
<p>Jailton Santana, 29 anos, é um baiano cabeludo que vê no “A gente da Comunidade” o incentivo que precisa para continuar.  É a fome com a vontade de comer que se unem nesse trabalho. Jailton viu um prédio de três andares abandonado. Avisou outras famílias moradoras de rua e as levou para lá. São mais de 20 que moram no prédio precário, cheio de infiltrações, goteira, lama, lodo e instalações perigosas. “Foi o que eu pude fazer”, ele reconhece.</p>
<p>Apesar da precariedade, este pode ser o primeiro passo de uma caminhada desafiadora: tentar mostrar um novo sentido de viver para aqueles que perderam a razão desde que mergulharam no vazio profundo das drogas. Mas quando a vontade de fazer é maior, os obstáculos reduzem-se tanto, que passam a ser despercebidos. É como observa Ezequiel Ferreira, um dos organizadores do evento. Ele quer transformar o salão do prédio em um núcleo de oração. Este desejo, audacioso, tem como objetivo ampliar a visão dos viciados para que enxerguem a vida de outra forma. É poder fazê-los ver que a droga pode não ser o fim, mas um desafiante ponto de partida para um recomeço promissor.</p>
<p>E é este o anseio da maioria: poder ter a chance de construir uma nova vida, um renascimento possível, a partir das pedras de crack.</p>
<p>Para uma boa parte dos usuários, o trabalho do grupo de voluntários é muito bem vindo. Porque a maioria deles se imagina como pessoas que não existem, ou como marginais que denigrem a ‘beleza’ da sociedade. Mesmo assim, no evento, eles puderam ver o carinho e a preocupação honesta dos agentes da solidariedade.</p>
<p><strong>A sensibilidade por trás do vício</strong></p>
<p>Do outro lado da rua ônibus, carros, motos. Outra vida completamente diferente passa margeando a cracolândia. Vidas que veem os viciados como poeiras que entopem os poros da cidade. E não conseguem identificá-los como pessoas que pensam, choram e sentem. É como sente Eduardo Gonçalves, de 33 anos. O pintor predial desempregado é viciado em crack e mais um engolido pela cratera da desigualdade. Não gosta muito de falar. Desconfia de que está sendo entrevistado e demora a responder. Mas quando ouve a pergunta sobre seus sentimentos, não resiste em expressar o que está à beira do coração.</p>
<p>“Esse evento é tão maravilhoso, porque estou só com a roupa do corpo e ela está toda molhada. Estas roupas que trouxeram vieram na hora certa. Agradeço a Deus e a vocês (voluntários) pela ajuda. Hoje eu pude me alimentar, me vestir e ter um pouco da atenção de alguém. Graças a Deus existem pessoas que se preocupam com a gente”, ele agradece.</p>
<p>Com os pés agora calçados, Eduardo segue de volta para a rua, sua casa, segurando forte um pacote de roupas e de lanche. De visual mudado após o corte de cabelo e a barba feita, despede-se com um aceno entusiasmado. O voluntário fica feliz pela ajuda. Eduardo, pela oportunidade de ser ouvido.</p>
<p>Texto publicado no <a href="http://www.arcauniversal.com/iurd/noticias/a_vida_por_tras_da_cracolandia-4008.html" target="_blank">http://www.arcauniversal.com/iurd/noticias/a_vida_por_tras_da_cracolandia-4008.html</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=121&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quando a intuição forma um mestre</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 22:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Descrição]]></category>
		<category><![CDATA[Humanização]]></category>
		<category><![CDATA[Imersão]]></category>

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		<description><![CDATA[Flavia Vasconcelos Eu vi da coxia. Lá estava Armando Macêdo, o Armandinho, com seu chapéu enfeitado por um lenço e a roupa preta, traje já bastante conhecido nas suas andanças musicais. Eu o vi da coxia testando os instrumentos: seus companheiros, o bandolim e a guitarra baiana, esgotando deles tudo o que poderia ecoar, como se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=115&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Flavia Vasconcelos</p>
<p>Eu vi da coxia. Lá estava Armando Macêdo, o Armandinho, com seu chapéu enfeitado por um lenço e a roupa preta, traje já bastante conhecido nas suas andanças musicais. Eu o vi da coxia testando os instrumentos: seus companheiros, o bandolim e a guitarra baiana, esgotando deles tudo o que poderia ecoar, como se os espremesse e os aproveitasse até a última gota de som. Deles saíram todos os tons possíveis e inventados pelo talentoso Armandinho. Era o ensaio do segundo dia do lançamento do seu primeiro DVD solo, o <em>Pop Choro</em>, no Teatro Módulo, em Salvador, comemorando os 45 anos de carreira do músico.</p>
<div id="attachment_116" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/02/armandinho-ivan-erick.jpg"><img class="size-medium wp-image-116" title="armandinho ivan erick" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/02/armandinho-ivan-erick.jpg?w=300&#038;h=173" alt="" width="300" height="173" /></a><p class="wp-caption-text">“Tudo o que eu faço é apenas fruto de tudo que já ouvi e aprendi na vida. Eu absorvo e transmito na música”, explica Armandinho. Foto: Ivan Erick</p></div>
<p>Depois de certificar-se de que todos os instrumentos estavam harmoniosamente afinados, Armandinho passa por mim, em direção ao camarim, e me chama para conversarmos. Afinal, estava eu lá, com o caderninho em uma mão e uma caneta na outra, à espera de uma entrevista com o alquimista musical.</p>
<p>Entramos no camarim ocupado por muitas pessoas: amigos e colegas de trabalho do músico, todos muito alvoroçados e ansiosos, afinal, o show já ia começar. Sentamos eu e ele, um de frente para o outro em cadeiras improvisadas.  Armandinho é servido com uma dose de uísque com guaraná e iniciamos a conversa. Pelo tempo curto que tínhamos disponível, o roteiro da entrevista programado anteriormente  teve que ser modificado. Comecei pelas perguntas mais pontuais e, se desse tempo, passaríamos para as mais reflexivas.</p>
<p>Apesar da pressão, Armandinho demonstrou total atenção às minhas dúvidas jornalísticas e fez questão de criar um ambiente e um tempo só nosso. Entre um gole e outro de uísque, ele ia me ouvindo e respondendo com entusiasmo às questões. Foi uma entrevista desmistificadora, porém só fez abrilhantar ainda mais o artista, que nunca deixou de ser o menino talentoso de Osmar Macêdo.</p>
<p><span id="more-115"></span>Como se quisesse desvendar algum mistério, pergunto como ele consegue tocar o bandolim e a guitarra baiana de uma forma tão peculiar e ligeira e o que ele busca com a mistura de ritmos que sempre marcou o seu trabalho e está muito presente no seu DVD, o <em>Pop Choro</em>, que traz o rock, o chorinho, o pop e a música regional brasileira. Esperava uma resposta complexa e cheia de detalhes, mas o entrevistado me responde resumidamente: “É somente intuição.” Desconstruindo alguns mitos, ele diz que não sabe ler uma partitura sequer, e não busca uma coisa concreta quando mistura o rock com o chorinho, por exemplo. “Tudo o que eu faço é apenas fruto de tudo que já ouvi e aprendi na vida. Eu absorvo e transmito na música”, explica o artista.</p>
<p>O chorinho ele diz que conheceu através do pai. O rock fez parte de sua adolescência, quando conheceu os Beatles, Jimi Hendrix e por aí vai. Ele diz, como se fosse pouco, que as únicas coisas que criou foram o nome “guitarra baiana” – dado ao instrumento criado por Dodô e Osmar, inicialmente chamado de pau elétrico – e a ideia de “eletrizar” o bandolim e acrescentar uma quinta corda à guitarra baiana.</p>
<p>Ele fala do pai com muito orgulho e faz questão de pontuar as façanhas do homem que construiu a primeira guitarra (antes mesmo dos americanos), além de ter criado o trio elétrico, invenção que revolucionou o Carnaval da Bahia. “Meu pai inventou o trio elétrico que hoje é adotado por todas as crenças, classes e vertentes musicais. Os blocos afros, por exemplo, saem nos trios elétricos, esbanjando a sua beleza”, diz, envaidecido.</p>
<p>Já que o papo é o Carnaval, arrisco a perguntar se ele acha possível um retorno à estrutura original da festa, com blocos sem cordas, por exemplo. Ele nem titubeia: “De forma alguma! Nunca mais!”. Explica que o Carnaval atual envolve muito dinheiro, muito investimento e abrir mão disso é dificil. “Nem o governador tem o poder de intervir nessa estrutura!”, brinca. Para ele, o formato do carnaval de hoje não é totalmente prejudicial e nem necessariamente pior do que antigamente, apenas é diferente. “O carnaval apenas mudou o foco, antes o que prevalecia era a diversão, a cultura e hoje é muito mais do que isso e está atrelado ao lucro”.</p>
<p>Tocando no assunto das cordas dos blocos de Carnaval – um tema polêmico e já discutido por artistas e estudiosos que veem nesse formato um estímulo à segregação racial – Armandinho (que desfila num trio independente) pensa um pouco e responde: “Veja, eles dizem que a corda é por questão de segurança do folião. O meu bloco sem cordas não é nenhum tipo de protesto, apenas é porque a minha música já é a própria segurança, a vagabundagem toda adora a minha música! Eles se divertem!”</p>
<p>E entre risos de ambas as partes, tanto da repórter quanto do entrevistado, termina a entrevista. Armandinho precisava se arrumar para mais um espetáculo, onde ele mostra sua habilidade incomum com a música instrumental e com as cordas do bandolim e da célebre guitarra baiana. O show, não precisa nem descrever. Foi impressionante. A cada solo de bandolim ou de guitarra baiana, a plateia se surpreendia e os queixos caíam. Agora está mais do que provado: a sensibilidade e a intuição sozinhas também formam um mestre. A ciência é só mais um ingrediente.</p>
<p>*Matéria feita para o blog jornalístico À Queima Roupa (www.aqueimaroupa.com.br)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/115/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=115&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sushi</title>
		<link>http://jornalismodagente.wordpress.com/2011/02/16/sushi/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Feb 2011 04:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em aula]]></category>
		<category><![CDATA[Escrita Total]]></category>
		<category><![CDATA[Mapa Mental]]></category>
		<category><![CDATA[Tela Mental]]></category>

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		<description><![CDATA[﻿ Camila Galvez Ele gostava de sushi, e era quase um ritual obsessivo. Toda sexta-feira à noite, saia da aula e rumava para o restaurante pequenino e quase sempre vazio naquele horário. Observava o sushiman preparar o rolinho, primeiro a alga, depois o arroz e por fim o peixe. Sentia cheiro de areia e de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=109&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" class="mcePaste" style="position:absolute;width:1px;height:1px;overflow:hidden;top:0;left:-10000px;">﻿</div>
<p>Camila Galvez</p>
<p>Ele gostava de sushi, e era quase um ritual obsessivo. Toda sexta-feira à noite, saia da aula e rumava para o restaurante pequenino e quase sempre vazio naquele horário. Observava o sushiman preparar o rolinho, primeiro a alga, depois o arroz e por fim o peixe. Sentia cheiro de areia e de mar e de infinito enquanto observava o colorido do peixe se juntar ao branco do arroz e o escuro da alga.</p>
<div id="attachment_110" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/02/sushi.jpg"><img class="size-full wp-image-110" title="sushi" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2011/02/sushi.jpg?w=600" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;O mar, que era tão grande, ficava pequeno ali, naquele diminuto rolinho de sushi&quot;</p></div>
<p>Não gostava de molhos nem de nada que atrapalhasse o sabor. Achava um crime encharcarem o sushi com shoyu. Como ficava a experiência do sabor inusitado se se quebrasse o encanto molhando o arroz? Não, não era japonês, tampouco do Oriente, mas tinha certeza que em uma de suas muitas vidas havia vivido por lá.</p>
<p>Ele julgava gostar tanto e apreciar tanto aquela arte milenar simplesmente porque ela o lembrava da força do mar. Imperioso, poderoso, ruidoso, regido pelas mares. Mesmo diante de tanta força e poder, sabia ser simples ao abrigar a vida do peixe que serviria depois de alimento par ao homem. O mar, que era tão grande, ficava pequeno ali, naquele diminuto rolinho de sushi. Mas para ele era exatamente aí que morava a graça de se alimentar dessa forma e, de alguma maneira, sentir-se conectado com o mar.<span id="more-109"></span></p>
<p>Sabia que era uma espécie de amor, um estranho amor que, como uma donzela das antigas, fazia com que ele retornasse todas as sextas-feiras para sentir o som e ouvir o gosto do mar nos sushis. Era dessa forma única que conseguia sentir-se conectado consigo mesmo. Ia sempre só, para observar rodas de amigos que esporadicamente apareciam por lá e reclamavam da demora. Ele entendia. Não tinha pressa. Sabia que o preparo de um alimento que traz tanto simbolismo e tanto movimento cultural tendia mesmo a demorar. Não se importava. Esse era o seu ritual. Olhar o colorido, sentir o sabor, cheirar o mar, tocar os palitinhos que, mesmo depois de tanto tempo, ainda sentia dificuldades em segurar.</p>
<p>Quando provava um novo sushi, invariavelmente sentia-se naquele mesmo mar. Não era exatamente o sabor o responsável pela sensação, ele sabia, mas sim o simbolismo implícito naquele simples ato de abrir a boca e degustar. Todos os seus sentidos eram avivados pelo alimento, mas era o cheiro de mar que se fazia mais presente, mais intenso, mais forte, fazendo com que se lembrasse de tudo o que já vivera nas poucas oportunidades que tivera de estar diante da imponência do mar, de suas ondas quebrando e fazendo espuma e arrastando tudo o que estivesse pelo caminho em noite de tempestade.</p>
<p>O sushi era a prova de que algo continuava vivo dentro dele. O colorido era a prova de que as coisas voltariam a fazer sentido. O sabor era o gosto que ele gostaria de ter pela vida. Tudo ali, concentrado num pequeno rolinho que trazia consigo tantas lembranças, tantos sabores, tantas vidas.</p>
<p>Chamassem-no louco, ele não se importaria. Era movido pela água, pelo mar, pelo sushi das sextas-feiras. Por que só às sextas? Não sabia. O que podia afirmar com certeza é que o sushi tinha sabor de mar, amor e saudade. Não se culpava mais. Apenas apreciava. Era aquilo, na verdade, que o fazia continuar. E lembrar-se da forma como ela costumava sorrir quando, às sextas-feiras, ele aparecia feliz em sua casa e a convidava simplesmente para ver o mar pelos olhos de um sushi.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/109/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=109&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">sushi</media:title>
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		<title>Dança comigo?</title>
		<link>http://jornalismodagente.wordpress.com/2011/01/26/danca-comigo/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 16:16:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Visualização criativa]]></category>
		<category><![CDATA[Escrita Total]]></category>
		<category><![CDATA[Gay Talese]]></category>
		<category><![CDATA[Tela Mental]]></category>

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		<description><![CDATA[Nathalia Triveloni Não há espelhos, nem vestido de baile. Mas o frio na barriga tá aqui. Ele é fruto daquela sensação que temos quando nos aproximamos da pessoa por quem estamos apaixonados de longe e perguntamos: Você quer dançar comigo? Meu destino não é nenhuma dança, mas existe uma pessoa. Com um “dois pra lá, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=105&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nathalia Triveloni</p>
<p>Não há espelhos, nem vestido de baile. Mas o frio na barriga tá aqui. Ele é fruto daquela sensação que temos quando nos aproximamos da pessoa por quem estamos apaixonados de longe e perguntamos: <em>Você quer dançar comigo?</em></p>
<p>Meu destino não é nenhuma dança, mas existe uma pessoa. Com um “dois pra lá, dois pra cá”, desembarco em Nova York. Cada passo carrega um pouco de esperança neste dia nublado. Chegando ao meu destino, eu o encontro. Terno cinza escuro, andar elegante, o chapéu charmoso também marca presença.</p>
<p>Ok, eu confesso. Estou preparada para uma resposta negativa, mas não tenho ideia do que fazer se um sim eu ganhar. Respiro fundo, desacelero meus passos e timidamente pergunto: <em>Gay, você gostaria de conversar comigo?</em></p>
<p><span id="more-105"></span>Seu rosto se volta para mim. A pesada porta com arabescos de seu prédio que ensaiava uma abertura se fecha. Com um sorriso seletivo eu ouço: <em>Mas é claro!</em></p>
<p>E assim, Gay Talese e eu vamos juntos saborear um expresso. Ele nem pergunta meu nome, mas o que importa? A vida anônima sempre nos encantou. Chegamos ao seu restaurante preferido e, galanteador, ele troca o pedido. Hoje é um dia especial. No lugar do café, ele pede um vinho e eu o acompanho, afinal não é todo dia que brindamos com Gay Talese. Ele também pede um suculento raviole que educadamente recuso.</p>
<p>Na espera de nossos pedidos, começo a falar sobre como eu acho suas palavras arrebatadoras e como também não me sinto só neste mundo. Finalmente, encontrei alguém que se apaixona pela história de perdedores e acha os vilões sempre mais interessantes. Neste momento, olha pra mim e diz: <em>Eu sei como é difícil gostar do diferente.</em></p>
<p>Vamos compartilhando nossas confissões. Conto que, assim como suas primeiras histórias surgiram entre os tecidos e tesouras do comércio de seu pai, as minhas brotavam dos aromas de perfumes da loja de minha família.</p>
<p>Ele também não deixou de reparar que eu uso um chapéu. Gostamos dos mesmos sinais da elegância e neste momento, me dá um conselho:</p>
<p><em>Pontue teus textos com a mesma elegância que você dá seus passos.</em></p>
<p>Abro um sorriso. Ao fundo, uma música italiana toca. Reza a tradição da Itália que só devemos compartilhar a mesa com quem confiamos. Neste momento, somos cúmplices. Me sinto íntima, converso sobre nosso ofício, aprendo com ele. A esta altura, já o chamo de Gáy, isso mesmo, Gáy, de Gaetano. Como ele sempre deveria ser.</p>
<p>Percebo que as horas voam. Tenho que partir. Me despeço, ele fica e eu vou, levando o beijo na alma, a transformação vinda de quem inspira. Antes, tomo a liberdade de convidar este senhor de 78 anos com olhar de menino a me acompanhar em um passeio. Ele aceita.</p>
<p>O dia amanhece e eu chego ao Central Park. Caminhamos juntos, com nossas roupas diferentes do clothingstyle de quem coloca o corpo em forma. Colocamos nossas palavras em exercício, neste espelho de “Eu era“ e “eu serei”, vamos dançando ao sabor de histórias. Ele decide parar. Diz pra mim algo muito precioso:</p>
<p><em>As pessoas são diamantes, diamantes brutos. Cabe a nós lapidá-las, trazer o brilho que elas nem sabe que têm. E por que não mudarmos vidas?</em></p>
<p>Me despeço de Gáy, carregada de música. Talvez, um dia eu tenha sentado em minha cama, aberto minha tela mental, projetado meu encontro com Gáy. Talvez, eu tenha pego um trânsito absurdo para chegar ao Morumbi e decidi passar meu tempo um pouco mais com ele. Quem sabe?</p>
<p>Só sei que meu jardim da criatividade foi um restaurante, lugar que eu adoro, e que Gáy Talese sentou à mesa comigo. Compartilhou este momento, me presenteou com o pão da vida e o vinho da inspiração. Gáy dançou comigo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/105/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=105&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>All Star azuis</title>
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		<comments>http://jornalismodagente.wordpress.com/2010/12/08/all-star-azuis/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 01:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em aula]]></category>
		<category><![CDATA[Descrição]]></category>
		<category><![CDATA[Fundamentos Narrativos]]></category>
		<category><![CDATA[Observação]]></category>

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		<description><![CDATA[Isa Soares As pernas curtas parecem ser apenas um pouco maiores do que o espaço entre a cadeira que ocupa e a catraca por onde passam milhares de pessoas todos os dias. Entre um ponto e outro, os All Star azuis nuns pés pequenos apoiam-se aonde daí a uns minutos alguém se vai encostar depois [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=99&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Isa Soares</em></p>
<p>As pernas curtas parecem ser apenas um pouco maiores do que o espaço entre a cadeira que ocupa e a catraca por onde passam milhares de pessoas todos os dias.</p>
<p>Entre um ponto e outro, os All Star azuis nuns pés pequenos apoiam-se aonde daí a uns minutos alguém se vai encostar depois de ter passado o bilhete único na maquininha amarela.</p>
<p>Os cabelos moda anos 80 estão desalinhados e são ondulados. O desalinho parece sempre maior em cabelos ondulados. Não é à toa que aqui se chama “cabelo bom” ao cabelo liso. Os dentes de coelho num rosto redondo/quadrado, de olhos pouco expressivos, diria apáticos, compõem o quadro.</p>
<p>Mudou recentemente de percurso. Agora um pouco antes das cinco da tarde ocupa o lugar do cobrador do ônibus Parque Dom Pedro II.</p>
<p>De ontem para hoje, nada mudou. O mesmo silêncio, a mesma compreensão para com quem não tem R$2,70 para pagar a passagem, mas que ainda assim tenta a sua sorte com a cobradora dos cabelos desalinhados e dos pés pequenos dentro de uns All Star azuis.</p>
<div id="_mcePaste" class="mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;"><span style="font-family:Cambria;font-size:small;">As pernas curtas parecem ser apenas  um pouco maiores do que o espaço entre a cadeira que ocupa e a catraca  por onde passam milhares de pessoas todos os dias.&nbsp;</p>
<p>Entre um ponto e outro, os All Star azuis nuns pés pequenos apoiam-se  aonde daí a uns minutos alguém se vai encostar depois de ter passado  o bilhete único na maquininha amarela.</p>
<p>Os cabelos moda anos 80 estão desalinhados e são ondulados. O desalinho  parece sempre maior em cabelos ondulados. Não é à toa que aqui se  chama “cabelo bom” ao cabelo liso. Os dentes de coelho num rosto  redondo/quadrado, de olhos pouco expressivos, diria apáticos, compõe  o quadro.</p>
<p>Mudou recentemente de percurso. Agora um pouco antes das 5 da tarde  ocupa o lugar do cobrador do ónibus Parque Dom Pedro II.</p>
<p>De ontem para hoje, nada mudou. O mesmo silêncio, a mesma compreensão  para com quem não tem R$2,70 para pagar a passagem, mas que ainda assim  tenta a sua sorte com a cobradora dos cabelos desalinhados e dos pés  pequenos dentro de uns All Star azuis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p></span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/99/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=99&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Histórias de umbuzeiro</title>
		<link>http://jornalismodagente.wordpress.com/2010/12/02/historias-de-umbuzeiro/</link>
		<comments>http://jornalismodagente.wordpress.com/2010/12/02/historias-de-umbuzeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 13:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Humanização]]></category>
		<category><![CDATA[Imersão]]></category>
		<category><![CDATA[Observação]]></category>

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		<description><![CDATA[Kassia Nobre Santana do Ipanema &#8211; O pequeno de olhos azuis parou sua bicicleta em uma freada brusca que levantou poeira amarela para todos os lados. O seu olhar curioso apontou para um grupo de crianças singular embaixo de um pé de umbuzeiro. Mas o que elas faziam lá em uma tarde de forte calor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=88&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Kassia Nobre</em></p>
<p>Santana do Ipanema &#8211; O pequeno de olhos azuis parou sua bicicleta em uma freada brusca que levantou poeira amarela para todos os lados. O seu olhar curioso apontou para um grupo de crianças singular embaixo de um pé de umbuzeiro. Mas o que elas faziam lá em uma tarde de forte calor no sertão alagoano? Lendo, ora essa. O que mais poderia ser? Aproveitavam uma deliciosa leitura de um livro com título bem sugestivo: “À sombra do umbuzeiro”.</p>
<div id="attachment_89" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/12/umbu-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-89" title="Umbu 1" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/12/umbu-1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Criançada lendo “À sombra do umbuzeiro”. Fotos: Rodolpho Ornitz</p></div>
<p>O projeto Leitura no Sertão, que é desenvolvido pelo Swa Instituto e o Portal Maltanet*, parece árvore de sonhos brotando em uma terra seca. É a sétima vez que a árvore dá frutos e não apenas umbus-cajás ou umbuzada, em que a fruta é fervida verde com leite e açúcar. Por que o umbuzeiro? “Não houve um motivo específico, como o umbuzeiro é uma árvore tradicional do sertão, imaginamos como bom seria ler embaixo de sua sombra”, comenta José Malta Neto, um dos organizadores do projeto.</p>
<p>“À sombra do umbuzeiro” surgiu a partir das histórias de santanenses publicadas no portal Maltanet, no período de 2006 e 2007. E a leitura com a criançada nasceu porque, infelizmente, centenas de exemplares encalharam. Alegria para os pequenos que ganharam o projeto Leitura no Sertão.</p>
<p>- Todos vocês estão à vontade? Pergunta José Malta.<br />
- Estamos. O coro de crianças responde.</p>
<p>E estavam mesmo. Algumas ainda apoiadas nos joelhos, outras com as pernas já esticadas em uma grande lona embaixo do umbuzeiro. Todas atentas ao que estava prestes a acontecer. A tarde de leitura se iniciava para os alunos da Escola Municipal de Educação Básica Vereador João Francisco Cavalcante, que fica lá no povoado São Felix, município de Santana do Ipanema.<br />
<span id="more-88"></span>Exemplares do livro “À sombra do umbuzeiro” foram distribuídos para as 40 crianças que cochichavam entre si. O que despertou mais curiosidade do garoto de pele queimada de sol, que já tinha largado a bicicleta, apanhado um umbu para comer e se aproximado do grupo de leitores. Sem ninguém perceber sua presença, ele escalou até um dos galhos do umbuzeiro e lá se posicionou. Mas que movimentação esquisita era aquela? Tentava desvendar.</p>
<p>A criançada, que tinha entre 11 a 15 anos, folheou o livro e encontrou muitas histórias escritas por santanenses natos ou naturalizados. Eram contos, poemas, crônicas e outras peças literárias. Os alunos teriam que ler em voz alta algumas delas. É assim que o projeto funciona, com uma leitura compartilhada entre crianças e adultos. Momento de tensão quando um rebanho tentou cruzar a cerca que separava as crianças da estrada de barro.</p>
<p>- Valei-me Nossa Senhora! Gritou uma professora.</p>
<p>Apenas um susto, nenhuma tragédia. Uma leitura em parte silenciosa, já que cada estudante falava baixinho para si trechos do livro, tomou o ambiente do sertão e o garoto em cima do umbuzeiro foi notado.</p>
<div id="attachment_90" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/12/umbu-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-90" title="Umbu 2" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/12/umbu-2.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Desce aí, vem se juntar com o resto do pessoal&quot;</p></div>
<p>- Desce aí, vem se juntar com o resto do pessoal, disse José Malta.<br />
O garoto acenou com a cabeça para o lado e para o outro.<br />
- Mas se descer, você vai ganhar um livro. Você sabe ler?<br />
E ele novamente balança a cabeça.<br />
- Tudo bem, vai ganhar o livro mesmo assim.<br />
E o garoto desceu do umbuzeiro, ganhou o livro, mas não se juntou ao grupo da leitura. Decidiu acompanhar no outro lado da cerca.</p>
<p>Religiosos, que nem quase todo santanense, o grupo formou uma grande roda e rezou a oração do Pai Nosso. E depois evocaram o hino da terra amada, que faz lembrar um poema de Gonçalves Dias. Emocionante para quem vem de fora é observar que todas as crianças sabiam de cor a canção.</p>
<p>Santana do Ipanema<br />
Torrão querido pedacinho do meu Brasil<br />
És a Rainha do Sertão Alagoano<br />
Desta Pátria mãe gentil</p>
<p>Tua história enaltece nossa gente<br />
Com bravura e amor-febril<br />
Padre Francisco Correia e Martinho Vieira Rego<br />
Pioneiros nesta terra varonil</p>
<p>Tua bandeira simboliza nossas cores<br />
As tuas praças, este rio, nossos amores<br />
O teu progresso eternamente a florescer<br />
Sou sertanejo, Santanense até morrer!</p>
<p>Minha terra tem palmeiras<br />
Nossos campos têm mais flores<br />
Onde canta o sabiá</p>
<p>Nosso céu tem mais estrelas<br />
Onde nuvens passageiras<br />
Dão espaço ao luar</p>
<p>O teu passado de glória<br />
Está vivo em nossa memória<br />
Teus filhos hão de aprender</p>
<p>É mais forte o meu desejo de dizer<br />
Sou sertanejo, Santanense até morrer!</p>
<p>Autor: Remi Bastos Silva</p>
<p>Chegara a hora da leitura. A primeira voluntária foi uma menina sorridente de trança no cabelo. Adaine gostava de ler e se destacava na escola por isso. E o poema escolhido veja a coincidência, tinha a temática parecida com o momento.</p>
<p>Recomeço<br />
Levante-se! Bata a poeira.<br />
Poeira da sua solidão<br />
Você não está só nessa multidão!<br />
A vida é bela e você não precisa ficar<br />
Se consumindo com várias suposições,<br />
Remoendo o passado<br />
Levante-se! Bata essa poeira<br />
Olhe de lado, e veja,<br />
Ainda tem pessoas que sofrem.<br />
Com sua Introspecção<br />
Por que você está assim?<br />
Levante-se! Bata a poeira!<br />
Erga a cabeça!<br />
Sinta o calor emanado do sol<br />
Tire os sapatos, fique descalço,<br />
Sinta as vibrações da terra<br />
Ande, respire fundo, ande até cansar.<br />
Agora sinta o pulsar do seu coração.<br />
E reflita, foi apenas um tropeço.<br />
Sem grandes conseqüências.<br />
É passado, já passou!<br />
Sinta que a vida é bela,<br />
Sempre vale a pena recomeçar.<br />
Autor: João Francisco das Chagas Neto – Dezembro/ 2003.</p>
<p>Adaine e seus colegas sentiam as vibrações da terra e o momento mágico perdurou. Lá no alto, forte e imponente, a Serra do Gugi era testemunha de um novo amanhã para aquelas crianças. O medo e a vergonha de errar alguma palavra ou expressão, não frearam o menino Mário, que escolheu a próxima leitura. O franzino recitou em voz alta mais um poema.</p>
<p>Depende de mim<br />
Não sei se fico,<br />
Não sei se vou, Não sei se paro<br />
Aqui estou;<br />
Devo ir?<br />
Não posso ficar!<br />
Devo seguir?<br />
Não posso parar.<br />
A vida é assim,<br />
Assim é a vida,<br />
Não posso esperar<br />
A vida passar.<br />
Vou prosseguir<br />
No caminho correto,<br />
Que caminho é este?<br />
Não sei se estou perto!<br />
Depende de mim<br />
Isto estou certo.<br />
Autor: Francisco de Assis Farias (Tamanquinho) em 23/08/98</p>
<p>Aplausos para o leitor! Agora, cada aluno leu um verso em voz alta; cantaram o poema alagoano. Algumas crianças da comunidade também acompanhavam a leitura. Dedos riscavam o papel. A voz narrativa de Wellington deu tonalidade ao próximo poema.</p>
<p>Rio Ipanema<br />
Corre, oh! Rio Ipanema,<br />
Entre pedregulhos e caminhos sinuosos.<br />
Cerca tua cidade com teus últimos córregos de água salobra.<br />
Faz de tuas viagens, intermináveis lamentos,<br />
Para que teus filhos não joguem em ti,<br />
Todos os teus enganos.<br />
Daqueles banhos que nos destes,<br />
Daquelas águas que saciaram nossa sede.<br />
Reveste agora, nossa alma de complacência,<br />
Para que sejamos menos infames,<br />
Ao tirar tua pureza.<br />
Rio Ipanema, os silvícolas do passado que tanto te reverenciaram;<br />
Faz com que nós, agora menos civilizados,<br />
Salvemos o teu leito ferido.<br />
Rio é feito de enchentes e de vazios,<br />
Que ao adormeceres ao canto das rãs e das luzes dos vaga-lumes,<br />
Ao acordares, foges pra bem longe,<br />
Para que não vejamos teu martírio.<br />
Continuas a nos embalar com os teus ruídos das grandes cheias<br />
e que tua intermitência aplaine nosso corações.</p>
<p>Histórias engraçadas arrancaram risadas dos pequenos leitores. Narrativas reais, como a de um tradicional programa de violeiros.</p>
<p><strong>Garoto Pesado</strong><br />
Tradicional programa de violeiros, Rádio Correio do Sertão. Lá estavam dois grandes repentistas, João Paraibano e Zé de Almeida. Nisso o assistente de programa, Zé Locutor, chega e entrega um mote para ser lida naquele instante por algum da dupla. Seu João que está logo na frente pega o bilhete e logo inicia a leitura. Um pouco desatento, começa, “Está desaparecido um Garoto, com uma pinta na testa, pesando aproximadamente, oito arroubas”, aí arregala os olhos e alterando a voz, diz: “ISSO NÃO É UM GAROTO, ISSO É UM GARROTE”.<br />
Autor: Sérgio Soares de Campos</p>
<p>O sol ameaçava se despedir do céu, quando todos deram um até logo ao umbuzeiro e retornaram à escola. Cachorro quente e coca-cola foram servidos para celebrar a festa no sertão. E que venham as sombras de outros umbuzeiros, juazeiros e quixabeiras.<br />
*http://www.maltanet.com.br/</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/88/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=88&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Levite Bahia, um artesão que faz moda para quem tem atitude*</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 14:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Humanização]]></category>
		<category><![CDATA[Imersão]]></category>
		<category><![CDATA[Observação]]></category>

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		<description><![CDATA[Flavia Vasconcelos Na Rua Carlos Gomes, uma das mais movimentadas de Salvador, onde pessoas passam aos montes, sempre apressadas, em um ritmo frenético, que começa prematuro, logo de manhã, num clima que Martha Medeiros, em seu despertar poético, descreveria “A cidade acordou antes de mim/ Me serviu buzinaços na cama/ E caminhões despejando cimento…”, existe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=77&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Flavia Vasconcelos</em></p>
<p>Na Rua Carlos Gomes, uma das mais movimentadas de Salvador, onde pessoas passam aos montes, sempre apressadas, em um ritmo frenético, que começa prematuro, logo de manhã, num clima que Martha Medeiros, em seu despertar poético, descreveria “<em>A cidade acordou antes de mim/ Me serviu buzinaços na cama/ E caminhões despejando cimento…”</em>, existe um espaço em suspensão, destoando das muitas lojas enfileiradas. Uma pausa para a contemplação. É o Atelier de Levite Bahia, estilista baiano e inventor de uma moda bem particular. Uma moda de atitude e feita para quem tem atitude.</p>
<div id="attachment_78" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/levite-bahia.jpg"><img class="size-medium wp-image-78" title="Levite-Bahia" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/levite-bahia.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Levite Bahia: &quot;Eu confio no meu trabalho e me disponho a ousar&quot;. Fotos: Flavia Vasconcelos</p></div>
<p>O atelier lembra os jardins suspensos da Babilônia, construídos pelo rei Nabucodonosor, que exibiam do alto, flores fragrantes e esculturas, por entre piscinas e fontes glamourosas. Lá no atelier, os vestidos ficam suspensos, revestindo as paredes, em um movimento sinuoso dos manequins. As flores estão nos vestidos e as esculturas nos corpos fictícios, encobertos pela moda <em>levitiana</em>. As roupas são feitas da mistura de tecidos, que – na diferença – se harmonizam. É como diz o estilista, com um humor contagiante: “Tô igual ao Festival de Verão, misturando tudo!”. Na roupa de Levite, a renda, a malha, o algodão e qualquer outro tecido que enquadre, se encontram, formando um elegante conjunto.</p>
<p><span id="more-77"></span>Levite Bahia, nome de batismo e sobrenome fruto da criatividade, nasceu em Utinga, na Chapada Diamantina. Filho de pais pernambucanos, o estilista de olhos claros e brilhantes sempre gostou de moda. Para ele, ela chegou de mansinho e se instalou: “A moda veio até mim, me adotou, me tomou e eu nem me mexi. Parece até obsessão”, comenta.  Veio para Salvador com, aproximadamente, 21 anos para estudar e trabalhar. Ingressou no curso de corte e costura do Serviço Social do Comércio (Sesc), mas não concluiu, por se tratar de uma turma predominantemente de mulheres. “Eu não entendia a linguagem feminina”, explica. Resolveu partir para a prática do trabalho, vendendo bolsas customizadas com tecidos de decoração e retalhos, nas praias da cidade e, a partir daí, foi mostrando nas ruas a sua criatividade.</p>
<p>Passou a frequentar as feiras livres da Lapa (centro de Salvador) e Pelourinho, organizadas pelo Sesc, das quais ele relembra com saudade. Nesses eventos, conheceu pessoas influentes e um espaço interessante para mostrar o seu trabalho. Abriu um atelier no Pelourinho, ambiente onde afirma ter aprendido a ser o que é, e o que faz. Lá, ele descobriu a moda artesanal e se encontrou. Conheceu o estilo africano, indígena e hoje, define seu trabalho como mestiço, “como nossa gente é”, completa. Para Levite, o Pelourinho é uma verdadeira vitrine, uma fonte de inspiração, já que roupas do mundo inteiro passeiam por ali.</p>
<p><strong> ‘Quem não quer ser notado, não veste Levite Bahia’</strong></p>
<p>Durante os 25 anos em terras soteropolitanas, Levite Bahia já participou de desfiles em eventos como a Expo de Moda e o Made in Bahia, promovidos pela empresária Vera Pontes, e organizou desfiles individuais nas praças públicas do Pelourinho. Hoje, no seu atelier, promove cursos de reciclagem de roupa, estamparia e outras técnicas, expõe as suas criações para serem vendidas e coleciona clientes famosos como Xandy, Tonho Matéria, a banda Mambolada, Salviano Pessoa (que participou do programa Ídolos, da Record), o grupo Canto In Verso e muitos outros. No teatro, foi requisitado para vestir o elenco da peça <em>Cabaré da Rrrraça</em>, de Márcio Meirelles, entre outras companhias menores.</p>
<div id="attachment_79" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/levite-bahia-manequins.jpg"><img class="size-full wp-image-79" title="Levite-Bahia- manequins" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/levite-bahia-manequins.jpg?w=600" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Moda &quot;levitiana&quot;: diferenças que se harmonizam</p></div>
<p>Mas, o que estimula o artesão da moda, como se auto intitula, é o “povão de atitude, a negrada descolada”, admite. Segundo ele, apostar e viver do que acredita, vendendo um produto que parte de dentro, sem acompanhar as tendências ditadas pelo padrão internacional da moda é uma tarefa difícil e só faz sentido quando ele vende as suas peças para “aquela gente que junta dinheiro, para poder comprar uma roupa especial, para ficar mais bonita em dias de festa”.</p>
<p>Embora enfrente as barreiras do mercado, criadas para selecionar – nem sempre os melhores – estilistas de ponta, Levite Bahia aposta que o futuro da moda é o artesanato. Para ele, o artesão da moda já é uma profissão. Só precisa ser reconhecida. O principal ponto negativo nessa realidade futura é que  “quem cria é o artesão, mas o acadêmico é quem tem o dinheiro. O mercado te ajuda, quando não te suga”, adverte. Durante os dois anos em que montou seu atelier na Carlos Gomes, o estilista ainda não conseguiu vender uma peça a preço justo, condizente com o capricho e a criatividade presentes em cada uma delas. Porém, nos áureos tempos do Pelourinho, até conseguia equilibrar o preço. Para Levite, o Centro Histórico já esteve mais movimentado comercialmente, o que empolgou muitos artistas: “O Pelourinho faliu e eu fali junto com ele”, diz, justificando a sua mudança para a movimentada rua Carlos Gomes.</p>
<p>De olho no futuro, Levite pensa em criar um projeto que envolva cursos de costura, customização e reciclagem de roupas para o público de terceira idade e jovens de baixa renda. Para viabilizar esse empreendimento, pretende estruturar a ideia e buscar parcerias tanto do município quanto do governo. “Todos têm dentro de si inteligência e capacidade. Somos um projeto que já nasce pronto, só falta aprimorar.” Para ele, o sucesso depende de talento, oportunidade e ousadia. “Eu confio no meu trabalho e me disponho a ousar, coisa de leonino”, reflete.</p>
<p>Levite Bahia é um artista que vê na moda um ideal de vida. Sonha em espalhar seu trabalho pelas ruas das cidades, entre as pessoas que realmente dão vida aos lugares por onde passam. A “negrada descolada” a que ele se refere é a sua maior vitrine. Levite é vivo,  original e complexo na sua simplicidade, e assim, exatamente assim, são as suas roupas. É como disse, sem meias palavras: “Quem não quer ser notado, não veste Levite Bahia”.</p>
<p><strong>Contatos:</strong></p>
<p>Atelier: Rua Carlos Gomes, n 99. Tel: (71) 3011-7099/ 8702-7099</p>
<p>Myspace: www.myspace.com/levitebahia</p>
<p>E-mail: levitebahia@hotmail.com</p>
<p>* Publicado originalmente no site À Queima Roupa (<a href="http://www.aqueimaroupa.com.br/" target="_blank">www.aqueimaroupa.com.br</a>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=77&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Humanização sustentável</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 01:27:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Nathalia Triveloni A mãe está enlouquecida. A criança olha para o prato de comida com certo desprezo. Não há meios de convencê-la que o alimento é o combustível para que seu corpo funcione harmoniosamente. De repente, o argumento surge de uma história. “Você sabia que dentro da gente existem inúmeros soldadinhos?”. A menina diz que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=74&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nathalia Triveloni</em></p>
<p>A mãe está enlouquecida. A criança olha para o prato de comida com certo desprezo. Não há meios de convencê-la que o alimento é o combustível para que seu corpo funcione harmoniosamente. De repente, o argumento surge de uma história. “Você sabia que dentro da gente existem inúmeros soldadinhos?”. A menina diz que não. “Pois bem, se não comer, todos os soldados vão morrer e você ficará muito ma!”. Prontamente, a guria agarra o garfo e começa a abastecer a tropa.</p>
<p>Anos depois, aquela pequena torna-se mulher. Talvez por alguma malcriação de gente grande, o batalhão que vive dentro dela se rebelou. Seu labirinto é o quartel general e refém de alguma causa. A impressão que tem é a de que todo o exército gira incansavelmente em sua cabeça.</p>
<p>Santo André, inverno de 2010. Depois da crise de labirintite, esta é a primeira vez que sai sozinha. Enquanto espera o farol fechar para atravessar a rua, uma voz cordata lhe pede: “Moça, por favor, será que você poderia ajudá-la a atravessar?”. Naquele momento, ela se esquece de seu problema. Junto ao rapaz que lhe pediu, segura a mão da garota sorridente que possui deficiência na perna.</p>
<p><span id="more-74"></span></p>
<p>O outro lado é alcançado e o agradecimento vem em dose dupla. As ruas andreenses são quase que totalmente desprovidas de acessibilidade para os deficientes físicos. Salvo uma ou duas guias rebaixadas, é quase que impossível, até para quem não possui dificuldades, andar tranquilamente.</p>
<p>Recentemente, a prefeitura da cidade do ABC paulista adotou a “Lei da cidade limpa”. A preocupação é para além da poluição visual. Placas, displays e os famosos “totens” foram proibidos de serem colocados em calçadas para que os cadeirantes tenham livre acesso. No entanto, já neste início de campanha política, aqueles que fazem as leis, aparecem as desrespeitando em forma de fotografia no local de pedestres.</p>
<p>Mais um cruzamento e isso quer dizer que é outro obstáculo para a menina que tem dificuldade em caminhar. Novamente, a mulher do labirinto confuso oferece ajuda. Esta ação se repetirá mais uma vez. Isso a faz pensar na cena do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, quando ela conduz um deficiente visual e lhe narra a cidade francesa. O dia daquele homem foi mudado, assim como este.</p>
<p>Na última travessia, elas se apresentam. Milene não desiste de caminhar e é uma pessoa feliz. Ela faz questão de apresentar seu amigo com uma frase que marcaria sua companheira de caminhada para sempre: “Eu não ando direito e ele é parcialmente cego. Então, ele é minha perna e eu sou os olhos dele”.</p>
<p>A garota afrontada pelo problema de labirintite e relutante para que isso não a torne dependente de ninguém, encontra naquela guria a resposta para aquilo que chama de humanidade sustentável. Assim como os soldadinhos que a formavam quando criança, os três, ao atravessarem a rua, formam um único corpo. Um dá sustento ao outro e os dois juntos são o equilíbrio que lhe falta.</p>
<p>Quando falamos em sustentabilidade, nos atemos apenas às questões ambientais e não percebemos o significado amplo desta palavra. Em sua raiz, ela significa “defender” e “manter vivo”. Para que no futuro possamos ter um planeta que se auto-alimenta, é necessário humanizarmos a manutenção do respeito entre as pessoas. Uma relação de consciência entre homem e natureza é fruto de corpos vivos em simbiose.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=74&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Taga dum ké! Zig tchaa dum ké! Dum dum! Taga dum dum ké!*</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 04:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornalismo da Gente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Observação]]></category>
		<category><![CDATA[Som]]></category>

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		<description><![CDATA[Fernanda Costa É fato. A plateia não consegue ficar parada.  Todas as fileiras compostas por antigas cadeiras vermelhas de generosos estofados lustrados estão praticamente lotadas. São 293 lugares quase esgotados da Avenida São João, 473. Quem os ocupam são curiosas figuras que parecem transitar com desenvoltura pelas mais alternativas e variadas tribos urbanas e rurais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=64&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fernanda Costa</em></p>
<p>É fato. A plateia não consegue ficar parada.  Todas as fileiras compostas por antigas cadeiras vermelhas de generosos estofados lustrados estão praticamente lotadas. São 293 lugares quase esgotados da Avenida São João, 473. Quem os ocupam são curiosas figuras que parecem transitar com desenvoltura pelas mais alternativas e variadas tribos urbanas e rurais do planeta. No segundo andar da Galeria Olido &#8211; uma das mais tradicionais do Centro Velho de São Paulo e vizinha da ovelha negra da família, a Galeria do Rock &#8211; pés, mãos, cabeças, pescoços e cotovelos se movem no escuro.</p>
<div id="attachment_66" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-3-slammnin-e-barbatuques.jpg"><img class="size-medium wp-image-66" title="Foto 3 - Slammnin e Barbatuques" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-3-slammnin-e-barbatuques.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Junto a eles estava toda a plateia a acompanhar. Fotos: Fernanda Costa</p></div>
<p>São espontâneas respostas aos estímulos que recebem dos sons.  A fonética é simples porém  cada gesto, cada palavra é abastecida com potentes descargas de energia real e vibrante. Convidativas e dançantes as performances hipnotizam a cada monossílaba, onomatopeia e barulho produzido no palco.</p>
<p>-       Taga dum ké! Dum dum ké!  Convida o palco.</p>
<p>-       Taga dum Ké! Dum dum ké! Respondemos nós, anônimos enfileirados.</p>
<p>A interação do público acontece como se tivesse sido previamente ensaiada de tão perfeita, afinada e coordenada.  Dum dum ké ké Dum dum ké!</p>
<p><span id="more-64"></span>Foi assim: esbanjando uma inteligência corporal natural e livre, que artistas, convidados e público presente fizeram música corporal juntos, na abertura do III Festival Internacional de Musica Corporal que aconteceu nesta terça-feira pós-feriado da República em São Paulo. Este ano o Festival contará com a participação de diversos países como EUA, Alemanha, Áustria, Turquia, Colômbia, Canadá, Espanha, França e Brasil.</p>
<p>Durante a abertura oficial e os agradecimentos de praxe aos patrocinadores, o público foi surpreendido por rápidas falas criativas e bem humoradas dos representantes do Consulado Americano e da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo. Até música corporal eles arriscaram. Um cerimonial como estes, bem descontraído, compartilhou de imediato um clima de festa aconchegante e uma atmosfera de intensa receptividade e satisfação por parte de todos os envolvidos no projeto. Quando se percebe esse envolvimento pelo brilho do olhar não tem como não se contagiar. Logo no começo já nos sentimos incluídos ali, fazendo parte.</p>
<div id="attachment_65" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-1-kekec3a7a.jpg"><img class="size-medium wp-image-65 " title="Foto 1 - KekeÇa" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-1-kekec3a7a.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">KekeÇa lado a lado produzindo uma fusão ritmica de concentração e relaxamento.</p></div>
<p>Foi um começo em grandessíssimo estilo.  Os primeiros que iluminaram o palco do show de abertura com suas palmas, sons e movimentos corporais misteriosos e discretos foram os integrantes do grupo KekeÇa da Turquia.  Sem contar com a interação sincronizada com a plateia o ponto alto da apresentação deles foi a performance feita com todos eles sentados lado a lado com um tambor em cada extremidade da sorridente corrente humana.</p>
<p>A participação de Slammin, convidado de honra e idealizador do Festival desde a sua primeira edição foi matadora! A apresentação da sua banda chamada Slammin All-Body Band (EUA) com a participação dos Barbatuques foi surpreendente e fez o clima esquentar depois da apresentação dos Turcos. A colaboração que vem sendo feita entre o Slammin e o Núcleo Barbatuques já vem de anos de admiração mútua confessou Fernando Barba, diretor artístico do Festival e o resultado desse rico intercâmbio cultural tivemos o privilégio de assistir. Foi mesmo um show, digno do adjetivo espetacular, sem reservas e com todo o exagero possível.</p>
<div id="attachment_68" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-2-barbatuques.jpg"><img class="size-medium wp-image-68" title="Foto 2 - Barbatuques" src="http://jornalismodagente.files.wordpress.com/2010/11/foto-2-barbatuques.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Barbatuques concretizando uma das máximas: Dançar é preciso!</p></div>
<p>As vozes femininas da banda americana preencheram todo o ambiente com sua ginga e cor durante as músicas letradas. Percussionistas corporais e dançarinos faziam intervenções esporádicas no palco durante o espetáculo e enfeitavam harmonicamente as composições apresentadas. Antes de pessoas eram corpos. Antes de corpos som. Sons que se transmutavam em instrumentos musicais ambulantes compondo uma orquestra musical corporal de impressionar. Contrabaixo, saxofone, bateria, e até em base eletrônica esses artistas ousaram se transformar.</p>
<p>O Festival acontecerá entre os dias 16 e 21 de novembro e promete sacolejar muitos esqueletos com “música que se ouve e dança que se vê”. Serão workshops, oficinas, conversas, exposição, open mic e apresentações musicais gratuitas. Tudo é imperdível. E só está começando. Confira toda a programação no site do festival e aproveite!</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Internationalbodymusicfestival.com</strong></p>
<p style="text-align:left;">* Publicado originalmente em <a href="http://acessototalrevista.org/?p=9203">http://acessototalrevista.org/?p=9203</a><strong></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jornalismodagente.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jornalismodagente.wordpress.com/64/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jornalismodagente.wordpress.com&amp;blog=16950192&amp;post=64&amp;subd=jornalismodagente&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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